
Tenho um quartinho da bagunça ao lado esquerdo do meu subconsciente. E é para lá, mais precisamente para baixo de um tapete que eu, com bastante lucidez, jogo os excessos das minhas necessidades. Porque a gente sabe quando precisa demais, mais do que é justo ou possível. Então é melhor varrer o que sobra. O pó fininho da insegurança se mistura aos fiapos grossos do medo, que se envolvem às cicatrizes e quase transbordam a sujeira. É, às vezes não cabe tudo. Então eu choro, eu sofro. Porque sou muito pequena frente àquele tapete. Me escondo encaixadinha embaixo da cama do quartinho, que me engole.