terça-feira, 27 de julho de 2010

Não aos emails!


Sim às cartas escritas à mão, em folha de almaço, com linhas azuis! Coisa que amassa, que suja, que você risca e rabisca se errar. Que você escolhe cor de tinta de caneta Bic para dar ênfases. Que você ressucita a caixa de lápis de colorir para fazer um coraçãozinho no final, junto da sua assinatura, que segue depois de "Ass:".

Ali sim os sentimentos são expressados de verdade. Ali sim pode-se ler alma, mente, coração. Porque errar, rasurar, desenhar enquanto pensa, faz parte da gente. Não faz?
Sim às cartas com letra de mão, que começam 'caligraficamente' perfeitas e terminam o maior garrancho! Ou com letra de forma mesmo, coisa que remete à EMEI, aos desenhos com aquarela e giz de cera.
Será que ninguém se dá conta do quanto os emails separaram as pessoas? Tudo bem, é algo bem mais ágil e você consegue comunicação global. Já conheço o discurso. Mas... onde foram parar os cartões postais? Os papéis de carta? Os selinhos de envelope? Não era tudo mais humano? Não era tudo mais romântico? Não tinha mais temperatura? Mais sabor?
Sim à confecção de uma caixinha de lembranças! Porque "itens enviados" e "meus documentos" não me parecem guardar as memórias da forma que elas merecem ser guardadas. Uma caixinha embrulhada com papel de presente e durex, com um laço, funda, com cartas, cartões, entradas de cinema, fotos instantâneas (daquelas que você tem que entrar em uma cabininha e colocar uma moeda), frascos de perfumes terminados, caixinha de alianças...
A gente pode balancear a história e combinar um meio termo... o email fica para o trabalho e assuntos simples e urgentes. As cartas escritas à mão, que causam aquele calinho no dedo do meio, ficam para os sentimentos. Porque amor e amizade causam calinhos. Pode ser assim então, mundo virtual?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Marley!




No fundo, a gente se gosta!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cont. Diário de uma repórter

O mês já passou da metade. E não é que o Marley me fez aprender a ser rápida e segura? Olha que ironia... agora somos amigos. E morremos de rir durante as tardes que passamos juntos. Acho que ele vai sentir saudades de mim. E eu dele.
Ainda não tenho certeza do que quero, se realmente é ser repórter de TV, mas acho que nunca saberei totalmente. Essa é a graça. Vamos seguindo...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Diário de uma repórter - A peregrinação frenética assombrada por Marley

Sou jornalista de TV há quatro anos. Comecei na rádio-escuta, passei pra estagiária do Repórter Record e hoje sou produtora do Câmera Record. Na produção de reportagens, em cima de cada pauta, me aprofundo, entendo, questiono, entrevisto... Tudo por telefone ou internet. É muito raro eu conhecer um personagem meu. Sei de toda a sua história, mas não o conheço. Isso frustra uma pessoinha atentada como eu, que não consegue ficar parada. Resumindo, a produção me fez ter vontade de ser repórter.
Sei que é difícil de acreditar, mas não é por vaidade ou vontade de aparecer. É pelos motivos acima, somados à incentivos. Incentivos mil, indicação zero. Há quase dois anos mostro interesse até por mímicas, me dedico a aprender, treinar, fazer cursos, montar portfólio. E nada!
Há umas semanas fui indicada por um amigo para cobrir férias do repórter da Rede Família, em Campinas. Concorri com outras meninas, fiz teste e passei. Não pensei duas vezes ao dizer sim e correr pra negociar com meu chefe de SP sobre horários para uma jornada dupla. Deu tudo certo. Comecei na semana passada.
Agora acordo às 5:30, faço escova e chapinha todo santo dia, pela primeira vez na vida estou terminando um rímel, minhas panturrilhas doem por causa do salto também diário, almoço ao meio dia e meia e janto por volta das dez. Nada de refeições intermediárias. Dirijo 200km por dia. Na volta de Campinas, rezo pra não dormir ao volante. Abro os vidros do carro, aumento o som do rádio. Pela manhã, resolvo problemas da minha equipe que está no Pantanal, termino a produção de um amigo que foi pra essa viagem, inicio uma nova produção. À tarde, faço no mínimo uma matéria. Entrevisto, gravo passagem, escrevo o texto, gravo o texto, acompanho a edição.
Dia 1
Vesti camisa nova. A mais bonita. Com frio na barriga, peguei minha primeira pauta. Sem foco completamente definido, tive que ler umas três vezes. Era sobre um censo do uso de bibliotecas públicas. Tive ideias bem legais. Enquanto isso, o cinegrafista - que vou chamar de Marley - pegou um balde de água fria que ele levava no bolso e jogou na minha cabeça: "deixa eu te explicar. Aqui a gente faz tudo rapidinho, sem muita coisa".
Dia 2
Próximo ao dia das mães, minha primeira pauta da tarde foi sobre a correria pra comprar o presente. Enquanto eu fazia um povo-fala (e prestem atenção para a palavra 'povo'), o Marley disse: "grava com uma pessoa só e vamos embora". Minha passagem entrou no jornal com uns 600 mil fios do meu cabelo tapando a minha cara. Dessa pauta, partimos pra uma mostra de decoração. Lá, o Marley foi meu treinador... Esportivo. Faltou cronometrar cada coisinha que eu fazia, me acelerando pra eu melhorar minha marca. Fomos embora sem completar a matéria.
Dia 3
A pauta mais consistente da semana chegara: por conta da epidemia de dengue na região, a secretaria de saúde armou um mutirão e contava com a ajuda do exército pra eliminar focos do mosquito. Depois da resposta da secretária à minha segunda pergunta, o Marley desligou a câmera - estava cansado de segurá-la no ombro. O fiz religar. Ele ficou nervosinho. Eu voltei pra casa chorando. Uma soma de TPM com nervosismo e frustração.
Dia 4
Coletiva do rei Pelé. Marley estava de bom humor, mas talvez porque eu estivesse cansada. As sintonias quase se bateram. Ele me ajudou a encontrar uma luz boa pra passagem e me deu alguns toques de entonação. Jantamos juntos e eu voltei pra casa aliviada.
Dia 5
Fazia muito calor, já era sexta, e eu não tive tempo de almoçar. Fomos gravar o desfecho sobre o rodeio de Jaguariuna. Novamente minha sintonia e a do Marley estavam quase no mesmo nível. Eu morta, ele... Um morto.
No sábado trabalhei também, em SP. Externa dos Mamonas com o Gerson. Domingo com a mami e com a sogra.
Dia 6
Começa a semana de conciliação do TRT. Essa era a pauta. No meeeio da conciliação, o assessor deixou que eu gravasse uma passagem, mas falando baixinho, pra respeitar as partes e o desembargador. Fiquei tensa com a responsa e a falta de prática em falar baixinho no tribunal (graças). Como se não bastasse, ao meu primeiro erro, o Marley desligou a câmera e pediu que eu avisasse quando estivesse 'pronta'. Discutimos. Muito.
Continua...

terça-feira, 9 de março de 2010

Errante

Sou uma tonta. Sempre fui assim. Claro que tenho aprendido constantemente a fugir das pisadas na bola e ser mais feliz, mas não tenho êxito 100% das vezes não. Nem em 50%, acho. Me magôo e, pior, megôo quem amo. E quem não vivo sem. E por que tantas "burradas"? Porque não sei lidar com minhas próprias frustrações, meus próprios traumas. Meu subconsciente - medroso e vingativo - sempre me prega peças muito duras. Foi assim em nossa ultima briga (nossa não, minha). E, mesmo sabendo que o certo é "deixar passar", precisei me explicar e me desculpar - numa tentativa de fugir do caminho mais fácil, porém covarde.

O meu maior problema é bastante clichê, mas explica muita coisa: tenho saudades do que ainda não vivi. Deixei de vivenciar momentos que todos vivenciam. Costumo dizer que já vivi o pior e que por isso tenho certeza que a fase mais obscura da minha vida já passou. Mas é mentira. Não tenho essa certeza. Sinto medo da felicidade até. Do que pode vir depois dela, para compensá-la negativamente. A vida é muito brincalhona comigo. E tem um humorzinho negro que dói.

Me desculpei pelas vezes que derramei em seu colo todas as lágrimas contidas na minha vida. Todas as vezes que depositei nele uma responsabilidade gigante sobre mim. E todas as vezes que, com puro egoísmo, descontei meus desejos não realizados. Tenho aprendido que "a vida se traduz pela reação das pessoas frente à seus desejados não alcançados" (ouvi de um amigo). E minha reação foi, por várias vezes, a pior de todas.

Então prometi mudar, mais uma vez, e ser uma pessoa melhor. Tenho que crescer. Deixar de precisar de mimos quando acerto e de castigos quando erro.

A culpa é da minha imaturidade e da minha carência estúpida. Além da necessidade infantil de me fazer superior, justamente por não ser. Me desculpei por tê-lo atingido com meus medos. E mostrei que - enquanto erro - o amor só cresce, numa proporção assustadora.